5ª Roda de Conversa do CN-SESI ouve educadores e mostra como a escola transforma vidas desde a primeira infância

Com relatos comoventes e práticas inovadoras, encontro reafirma o papel da educação na formação cidadã e no desenvolvimento integral das novas gerações

Por: Vanessa Ramos e Luisa Bretas
27/05/2025 - 20:16
5ª Roda de Conversa do CN-SESI ouve educadores e mostra como a escola transforma vidas desde a primeira infância
Educadores de escolas SESI de todo Brasil com o presidente Fausto Augusto Junior. Foto: Conselho Nacional do SESI

Um espaço de escuta ativa, partilha de experiências e valorização de quem está na ponta da educação. Assim foi a 5ª edição da roda de conversa “O Conselho Quer Ouvir”, realizada na noite desta terça-feira (27), em São Paulo, pelo Conselho Nacional do SESI.

O evento reuniu cerca de 50 professores do Ensino Fundamental – Anos Iniciais e da Educação Infantil do SESI, representando 17 estados do país: Acre, Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

A roda marcou mais um capítulo da escuta estruturada. Nela, foram abordados temas como valorização das múltiplas linguagens, incentivo à autonomia e imaginação das crianças.

O evento é uma continuação do trabalho de ouvir quem está na ponta, com educadores de diferentes níveis do ensino. Já foram realizados encontros com gestores e coordenadores do SESI a respeito da transformação da educação e o mundo do trabalho e, também, com professores da EJA, abordando o tema sobre a transição geracional.

“As crianças e os adolescentes são a expressão mais potente da esperança. Mas essa esperança não se realiza sozinha. Ela exige compromisso com a escola e valorização de quem educa. Cada professora, cada professor que acredita no potencial de uma criança ou de um jovem está ajudando a reescrever os rumos do país. Por isso, ouvir e reconhecer as práticas de quem está na sala de aula é essencial. É ali que começa a transformação que queremos ver na sociedade”, afirma o presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior.

Transformação pela educação

As falas das educadoras foram costurando um panorama diverso e humano do que se constrói nas escolas do SESI.

De Santa Catarina, a especialista em Orientação Pedagógica, Myrthes Meinicke, responsável pela coordenação pedagógica nas escolas da rede SESI no estado, compartilhou a abordagem que reconhece a criança como um sujeito potente, curioso e capaz de transformar o mundo ao seu redor. “A autonomia, para nós, vai além de saber se alimentar ou escolher uma brincadeira. Ela se revela quando a criança pode fazer escolhas com significado e participar das decisões do cotidiano”, afirmou.

Segundo Myrthes, práticas como a organização de ambientes esteticamente provocadores, o uso da arte como linguagem e o incentivo ao brincar livre são centrais para desenvolver a imaginação, o senso de pertencimento e a capacidade crítica das crianças. “A infância no SESI é vivida com plenitude no presente, com escuta e respeito à singularidade de cada um.”

No Amazonas, a professora da Educação Infantil Sinthia Medeiros relembrou histórias que ilustram como a escola pode transformar destinos.

Uma das alunas atendidas por ela chegou ao berçário com uma condição neurológica grave e um prognóstico desfavorável. “Essa criança concluiu o Ensino Fundamental em nossa escola, andando e interagindo com os colegas, superando um prognóstico médico que dizia que ela não conseguiria sequer falar”, contou.

Outra criança, com deficiência visual, chegou à escola sendo levada em um carrinho de bebê, com dificuldades motoras e de fala. “A escola foi adaptada para acolhê-la. Ela terminou a Educação Infantil correndo, brincando com os colegas e falando. Foi uma vitória de todos nós”, relatou e educadora.

Do Espírito Santo, a professora Tatiana Souza ressaltou o trabalho com valores e a formação cidadã como pilares dos Anos Iniciais no SESI.

“Desde cedo, reforçamos valores como o respeito a si e ao outro, honestidade, empatia e solidariedade. Isso prepara nossos alunos para transformarem o ambiente em que vivem.”

Ela também destacou o papel da Plataforma Lekto e do componente curricular de Empreendedorismo como ferramentas para o desenvolvimento da mente crítica e da participação ativa das famílias, como na Feira de Negócios da Família Empreendedora (Fenefe).

No Piauí, a professora do Ensino Fundamental – Anos Iniciais Antoniela de Oliveira destacou a relevância dos projetos interdisciplinares como prática pedagógica que incentiva a autonomia e o pensamento crítico.

“Projetos conectam conhecimento à prática, incentivam a autoria, a resolução de problemas e o trabalho em equipe. Os alunos se sentem protagonistas e reconhecem a importância da escola em suas vidas”, afirmou.

Ao final do encontro, os educadores destacaram o caráter inédito de um espaço de escuta construído pelo Conselho Nacional do SESI e reafirmaram o compromisso com uma educação que acolhe e transforma.

Para o presidente Fausto, a roda de conversa, mais uma vez, mostrou que é na escuta da ponta que se constroem os caminhos mais sólidos para uma educação de qualidade — inclusiva, crítica e sensível às realidades brasileiras.

Edições anteriores

A iniciativa da Roda de Conversa – O Conselho Quer Ouvir que vem sendo promovida ao longo de 2025 pelo CN-SESI, reforçando o compromisso da entidade com uma educação sensível, comprometida com o território e com a vida dos estudantes.

Já foram realizadas cinco edições, abordando temas como educação em contextos de vulnerabilidade, juventudes e mundo do trabalho, transformações da escola no século XXI e os caminhos da educação de jovens e adultos (EJA) diante da transição geracional. Os encontros reúnem educadores, gestores, estudantes e especialistas de todas as regiões do país.

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